À Minha Querida Mãe

Está chegando o dia das mães, não é? Pois é, e nesse ano eu faço aniversário justamente na mesma data. Na verdade eu nasci no Dias das Mães! Mas a questão não é essa.... Vocês sabem o que mais desejo ? Não nesse dia, mas em todos os dias da minha vida, o que eu sempre desejei ? Eu queria poder ser amiga da minha mãe... Ela diz ser minha amiga, e eu realmente sou amiga dela quando precisa desabafar. Eu só a escuto, pois muitas vezes não sei o que dizer a ela. Mas mesmo assim, sinto que não sei nada dela.. E ela muito menos sobre mim. Vamos dizer que temos uma relação complicada desde a infância. Eu esperava contar com ela quando estivesse confusa, alegre ou triste. Eu queria falar o que eu sentia e queria perguntar tantas coisas... Na verdade ainda desejo isso. Mas ela sempre foi tão rígida com algumas questão da vida. Hoje conhecendo um pouco mais sobre as experiências da vida e como elas podem influenciar nas nossas crenças, me pego pensando se esse jeito dela é pelas pauladas que levou da vida, ou se sempre foi assim. Me desperta certa curiosidade em saber como era sua vida amorosa na minha idade, em sua adolescência, seus temores, seus desejos. E como se sente em relação a tudo isso no momento presente. Porém ela não fala muito, parece evitar esses tipos de conversa, o que pode ser uma certa impressão minha, sei lá. O ruim é que isso tudo me faz ter certa desconfiança nela. Foram poucos momentos que realmente pude desabafar com ela, uma quando estava em dúvida sobre o que era o amor (assunto no qual ainda tenho meus receios), e outra quando tive uma desilusão amorosa. Ela foi quem me apoiou nesta fase, me deixava dormir ao seu lado,e muitas das vezes, por isso, meu pai teve de dormir no chão. Eu tinha pesadelos e chorava assim que acordava deles. Raros momentos, mas foram muito especiais e importantíssimos para mim! A questão é que estou passando por um momento de mudanças e reflexões agora... Eu tento me aproximar dela. Queria tanto poder dizer a ela o que estou sentindo no momento, o que se passa em meu coração, hoje aflito. Gostaria tanto que ela pudesse me acalentar, me dar seu colo... Na verdade eu queria que ela percebesse o que sinto sem eu ter de dizer alguma coisa. Que me conhecesse como meu pai me conhece. Que só de olhar nos meus olhos soubesse o que estou passando, e que soubesse me dizer as palavras certas como se já soubesse o que está acontecendo comigo. Eu só quero um apoio, sem julgamentos, criticas ou pré-conceitos antes de saber dos fatos reais. Já tentei dizer isso a ela, e tentei também agir, como começar a confiar nela.. Mas sei lá, parece que ela se esqueceu como é ser uma amiga, se é que já teve alguma um dia. Ela sempre me fala que amigas não existem que só vão roubar seus namorados, e que amigos de verdade são meus pais. Confesso que as vezes não acredito em nenhum dos dois, amigo mesmo, primeiramente, pra mim é Deus... Mas lá no fundo sei que ela pode ser minha amiga, só acho que não sabe como fazê-lo, e por algum motivo que desconheço. Me sinto tão sozinha sem ela... Ela está aqui, mas parece tão ausente ao mesmo tempo. Ela tenta se aproximar, mas não sei se é eu que criei um escudo, ou se é a forma como tenta fazer isso que pode estar errada. Vejo outras pessoas que conheço tendo uma relação tão linda com suas mães. Eu só peço que me escute, não precisa que me diga nada, as vezes, só apenas olhe nos meus olhos e me compreenda, o que sou, o que sinto e meu esforço para ser. Preciso dela, de suas experiências para amadurecer na vida e ser melhor a cada dia mais... Eu não a repreendo por isso, ao contrário, à amo mais e a perdoo, sempre. Não sei o que se passa em sua cabecinha e em seu coração, ou o que pensa sobre isso, se sente o mesmo talvez. Mas nem por isso meu amor por ela deixa de ser grande. A amo do jeito que é, até mesmo quando brigamos, ou ficamos sem falar, como já aconteceu. Tenho muita admiração por todas as dificuldades que passou, pelas vezes que a vi chorar quando nós filhos a decepcionamos. E olha que não foram poucas vezes. Mas quando não era comigo eu estava lá, para só ouvi-la e dar colo, ou até mesmo um abraço apertado. Agora, quando sou eu que faço suas lágrimas caírem, eu peço perdão, desculpas, por não ser perfeita. E de forma alguma a culpo por isso, pois muitas das vezes não a quis ouvir, isso eu reconheço, que já esteve certa muitas vezes, eu só precisava quebrar a cara sozinha algumas vezes. Nem sempre dá para aprender tudo só na teoria. Mas não importa mãe, o que você foi, o que passou ou quem é, você pra mim continua sendo peça importante da minha vida. E sempre será meu porto seguro. Eu posso não ter saído do quentinho da sua barriguinha, mas só o fato de deixar eu dormir nela muitas noites, já me deixa contente em saber que tenho uma mãe, enquanto no mundo a muita gente que não sabem o que é isso. Eu sei, e mesmo não sendo do jeito que desejo sempre, mesmo com seus defeitos e falhas eu agradeço todos os dias por ter você em minha vida. E pelo que até hoje aprendi ao seu lado. Te amo para todo sempre! Por toda eternidade! Obrigada por você existir!


Comentários

Postagens mais visitadas